Vulnerável, eu? A coragem em assumir que sou aprendiz de mestre de mim

O que eu ganharia em perceber e expor as minhas falhas de consciência, os meus erros e pontos fracos, depois de sentir na pele o que significa ser rotulado e julgado por algum comportamento isolado? Para quem se guiava pela aprovação dos outros por tantos anos, como já foi o meu caso, era simplesmente impossível me aventurar em alguns aspectos de quem realmente sou. Somente com o início da busca pela verdadeira auto-estima e realização, após muita decepção e frustração, é que foi possível começar a caminhar para além da vitimização.

O medo da rejeição

Durante muitos anos acreditei que o maior medo que eu sentia era o medo da morte. Fiquei muito surpreso quando comecei a meditar e, com a observação atenta dos pensamentos, fui percebendo como a raiz do medo era o temor em sentir novamente a dor já sentida ao ser rejeitado por ser demasiado espontâneo e assumidamente simples.

O que compartilho neste artigo são algumas de minhas experiências e percepções com a coragem em ser autêntico e desistir de mentir para mim mesmo e para os outros.

Insulfilm na Transparência
Enquanto isso na Lava Jato...

A coragem em ser íntegro e verdadeiro

A cada dia mais pessoas se dizem desanimadas com o ponto em que a humanidade chegou de frieza, intolerância, superficialidade e falsidade. Dizemos estar cansados de tanta corrupção, ganância, reclamação, arrogância e escravidão. E o que temos feito para ir além dessa tradição?

Tantos dizem gostar de quem é transparente, autêntico e puro de coração. Depois de explorados e assassinados, muitos desses humildes servos viram mártires, heróis, “escolhidos”, filhos preferidos de Deus, exemplos a serem seguidos. Mas por que isso raramente acontece enquanto ainda estão vivos?

Em minhas experiências de aprofundar na integridade e ser a cada dia mais honesto, transparente e simples posso afirmar que fui “perdendo amigos” e muitos deles se decepcionaram comigo por eu não ser mais moldado ao agrado como antes, em busca de aceitação, nem estar disposto a me encaixar no papel que imaginaram ser o melhor pra mim.

Quanto menos coisas e condições eu precisava pra ser feliz, abraçando a simplicidade, pureza e serenidade, mais eu ouvia comentários irônicos de que estava indo na direção contrária ao jeitinho certo de viver o Reino da Terra, no estilo de vida da prosperidade materialista. Se eu não obedecesse algumas tradições e maneiras consideradas como as certas de se viver e aproveitar a vida, barganhando a “amizade”, eu seria rejeitado pelo “amor interesseiro” dos demais, com todas as justificativas possíveis.

Tudo isso é possível perceber com a observação atenta de tudo o que acontece à nossa volta e em nossos padrões mentais e emocionais. A grande questão é a coragem em encarar esses medos, angústias e antipatias, abandonando a culpa e a vergonha em reconhecer as próprias falhas.

Em alguns momentos confesso que até pensei se valia mesmo essa pena de ser íntegro e verdadeiro. Parecia que eu estava deixando de ser valorizado, amado e sendo visto como um rebelde.

Resolvi assumir o fato de não estar mais dando conta de fingir, nem de ser marionete corruptível. Algumas pessoas tem preço; outras, valores. Percebi pelas minhas experiências que um dos maiores condicionamentos da humanidade é a de cada pessoa querer viver de um jeito e cobrar que as demais ajam de outra maneira, bem mais gentil, respeitosa e altruísta. As atitudes egoístas, a “esperteza”, a ganância e arrogância são justificados como se não existissem outras possibilidades de conduta. Quando se é um representante público aí sim, se espera que a pessoa seja honesta e responsável. Afinal, de onde sai tanto político corrupto?

Os valores essenciais para mim são respeito, compaixão, humildade, responsabilidade e integridade. Eu estava disposto a deixar todo o “mais”, todas as ilusões, desejos pessoais e medo de ser rejeitado para viver de verdade, em paz, felicidade e realização.

Senti a dor do apego a tantos desejos e expectativas, o sofrimento da resistência ao me entregar ao desconhecido, ao reconhecer que posso sim ser brasileiro e desistir… de sofrer.

Deixei ir crenças limitantes e emoções reprimidas, com uma grande sensação de alívio, de “já deu!”, trocando a culpa pelo sincero arrependimento e esse foi dissolvendo meu impulso egocêntrico de rejeição, me deixando a cada dia mais livre da escravidão da vitimização, vingança e competição. “Se for pra rejeitar algo que seja a minha própria rejeição não amorosa ao que quer que seja” — pensei e senti em compaixão.

Depois da debandada dos que diziam me amar mesmo com tantas exigências, condições e interesses pessoais, restou-me aprofundar na paz do amor próprio e alegria em ser quem Realmente Sou.

O ser humano é capaz de se adaptar às mais diversas situações e condições, até mesmo desumanas, em busca de felicidade. Lembre-se sempre que você merece a paz, a felicidade e realização em ser quem você realmente é. Ame-se hoje e sempre e observe. Plante o seu jardim e encante-se com sua alma ao invés de apenas ficar esperando que alguém lhe traga flores e mais condições, impostos e contas pra pagar. Encontre o céu, o paraíso dentro de si mesmo, no silêncio do Ser, e todas as suas necessidades mais profundas serão dadas a você em acréscimo. Ame-se e viva a Vida. Celebre! Permita ser quem você é. Viva a sua verdade! Isso nos ilumina por dentro, dando como fruto um belo e espontâneo sorriso.

Pela lei universal da afinidade, em que “Semelhante atrai Semelhante”, logo fui conhecendo a cada dia mais e mais pessoas corajosas e ousadas, que abraçaram a verdadeira auto-estima e a liberdade em ser quem realmente são e se expressarem a cada momento com mais humildade e honestidade…

Enfim… Integridade liberta!

Leo Fontes é autor dos livros Fonte de Inspiração e A Coragem em Ser Íntegro e Verdadeiro.

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